quinta-feira, 18 de abril de 2013

Dando vida aos desenhos

          Há cerca de mil anos, o árabe Alhazen notou que o cérebro humano é capaz de reter, por um instante, a imagem que os olhos acabaram de ver. Oito séculos depois, o belga Joseph Antoine Plateau construiu um aparelho em que a sucessão rápida de figuras dava a sensação de que elas se mexiam. Nascia assim um dos melhores amigos das crianças e das nem tão crianças assim: o desenho animado. 

          O produtor americano J. Stuart Blackton cria, ainda na era do cinema mudo, a animação de três minutos Humorous Phases of Funny Faces (1906), em que um cartunista desenha rostos que ganham vida. Oito anos depois, Winsor McCay montaria Gertie the Dinosaur, consolidando o nascimento de um novo formato de entretenimento.
          Otto Messmer cria o primeiro astro dos desenhos animados, o Gato Félix. Em Feline Follies e Musical Mews (1919), o personagem se chamava Master Tom. O sucesso fez com que o gato participasse, já com o nome famoso, de uma nova produção no mesmo ano, Adventures of Felix.


Gato Félix, o primeiro astro dos desenhos animados

          Max e Dave Fleischer convidam o cinema a cantar com os personagens da série Song Cartunes (1924). Os espectadores adoram a interação e muitos títulos são lançados, mas a união de som e imagem evolui de fato quatro anos depois, com o clássico Disney O Vapor Willie, terceira aparição de Mickey nas telas.
          Para promover suas músicas, a Warner faz desenhos animados com som. Bosko é o primeiro personagem de Looney Tunes. Depois viriam Gaguinho(1935), Patolino (1937) e Pernalonga (1940), entre outros.

Looney Tunes, astros da Warner

          William Hanna e Joseph Barbera criam a série Tom & Jerry (1940), considerado um dos melhores desenhos já feitos. Desde a estréia em “Puss Gets the Boot”, mais de 150 curtas foram produzidos, mantendo a quase ininterrupta briga de gato e rato que influenciou muitos outros títulos.

Tom & Jerry, um dos maiores clássicos dos desenhos animados

          Hanna e Barbera, já donos de seu próprio estúdio, criam a primeira série animada a fazer sucesso no horário nobre da TV americana. Os Flintstones (1960), trama de uma família da Idade da Pedra, conquistam o público com personagens carismáticos e piadas sobre as modernas “máquinas” da época.

          Com a animação digital Luxo Jr., a Pixar inicia o que muitos consideram a evolução natural da forma de se fazerem desenhos. A luminária se torna logotipo da empresa, que criaria Toy Story (1995) e Procurando Nemo (2003), entre outros sucessos.

Luxo Jr., o pioneiro do novo estilo de desenho

          Em 1987 Matt Groening cria para o Programa The Tracey Ullman Show vinhetas com uma família amarela e esquisita. Dois anos depois, Os Simpsons ganham sua própria atração e iniciam uma carreira de enorme sucesso, que inclui 27 prêmios Emmy em suas 24 temporadas ininterruptas apresentadas na TV.

Os Simpsons

          Estréia nos cinemas a versão dos estúdios Disney de A Bela e a Fera (1991). O filme, baseado na história do príncipe amaldiçoado (terá a aparência de uma fera até aprender a amar e a ser amado), usou técnicas de computador para criar efeitos inéditos. O desenho é até hoje o único que já concorreu ao Oscar de melhor filme.
          O biólogo marinho Stephen Hillenburg cria em 1999 Bob Esponja Calça Quadrada. O desenho vira fenômeno pop e se torna o mais querido entre crianças de 2 e 11 anos. Traduzidas em 25 línguas, as aventuras da esponja de gravata, recheadas de sátiras, agradam também a adultos.

Bob Esponja, um dos atuais fenômenos dessa arte

          Os desenhos animados já existem a mais de um século, animando e divertindo as crianças de todas as idades. A cada ano que se passa é eternizando cada vez mais essa arte tão presente em nossas casas.

por Caetano Matos.

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